sábado, novembro 26, 2005

Que fazer?


Estou estranha hoje,acordei demasiado nostálgica.Não me apetece fazer nada,apenas deitar-me e ficar sozinha com os meus pensamentos.
A vida ou é muito simples e nós complicamo-la,ou é demasiado complicada para ser entendida. Quando tentamos entender a vida os sentimentos ainda a complicam mais...Quero sentir o que não sinto,não quero sentir o que sinto.Mas porque é que tem de haver dias assim?Dias em que parece que tudo á nossa volta faz demasiado sentido,parece que percebo tudo sem nada perceber.
Estou a escrever e nem eu entendo o que escrevo,provávelmente nem quem lê vai perceber...
Também ninguém tem de entender se eu própria não entendo...Só me apeteceu escrever sem pensar...

Sou...




"Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...

Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino, amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!"

Florbela Espanca

domingo, novembro 13, 2005

há dias assim...


Há dias assim… em que o coração acorda virado do avesso. Será que já notaste? Dias em que o mundo é demasiado pequeno, demasiado brilhante para ser visto a nú sem uma cortina de lágrimas. Há dias em que olhar o sol magoa, respirar oprime e brincar destoa. Sim, há dias assim… que pesam toneladas, nos curvam os sonhos e toldam a razão… dias fúnebres e frios… gélidos… dias feitos da essência das noites mais escuras do Inverno mais árido… Há dias em que a dor é tanta que quase me sinto implodir… dias em que a nostalgia me maltrata as recordações… dias em que a solidão engendra mil tramas para me minar a alma… Há dias que me roubam a lucidez… e me forçam a dizer mentiras que não sinto… Há dias assim… dias em que me recolho ao meu silêncio de menina-mulher que quer desmontar o livro da vida para lhe descobrir os segredos e os desígnios… dias em que o mundo me reclama sem sucesso porque sou só minha… presa dos fantasmas do passado e dos que crio todos os dias… Sim, há dias assim… estúpidos… em que a razão tenta por artifícios mil convencer-me que o mundo é dor e escuridão, em que te afasto e me isolo e tento até convencer-me de que conseguiria viver sem ti… pura perda de tempo… o coração já sabe que lhe és indispensável… pois não tinha já mandado gravar o teu nome nas paredes?...