há dias assim...

Há dias assim… em que o coração acorda virado do avesso. Será que já notaste? Dias em que o mundo é demasiado pequeno, demasiado brilhante para ser visto a nú sem uma cortina de lágrimas. Há dias em que olhar o sol magoa, respirar oprime e brincar destoa. Sim, há dias assim… que pesam toneladas, nos curvam os sonhos e toldam a razão… dias fúnebres e frios… gélidos… dias feitos da essência das noites mais escuras do Inverno mais árido… Há dias em que a dor é tanta que quase me sinto implodir… dias em que a nostalgia me maltrata as recordações… dias em que a solidão engendra mil tramas para me minar a alma… Há dias que me roubam a lucidez… e me forçam a dizer mentiras que não sinto… Há dias assim… dias em que me recolho ao meu silêncio de menina-mulher que quer desmontar o livro da vida para lhe descobrir os segredos e os desígnios… dias em que o mundo me reclama sem sucesso porque sou só minha… presa dos fantasmas do passado e dos que crio todos os dias… Sim, há dias assim… estúpidos… em que a razão tenta por artifícios mil convencer-me que o mundo é dor e escuridão, em que te afasto e me isolo e tento até convencer-me de que conseguiria viver sem ti… pura perda de tempo… o coração já sabe que lhe és indispensável… pois não tinha já mandado gravar o teu nome nas paredes?...

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